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Início de M&A: como não deixar que a assimetria de informação mate o negócio

Todo processo de M&A começa no mesmo ponto: muita narrativa, pouca evidência. O comprador ouve uma “tese de investimento”. O vendedor ouve um “múltiplo”. Os advogados ouvem “risco”. E ninguém, a princípio, tem a mesma foto da empresa. A assimetria de informação entre as partes é máxima nos primeiros estágios, e é justamente aí que a maior parte dos deals morre: de forma silenciosa, sem drama de última hora, simplesmente porque alguém tropeçou num tema que poderia ter sido tratado desde o início.

O objetivo dessa fase não é ter todas as respostas, mas reduzir assimetrias e transformar incertezas em variáveis negociáveis: coisas que podem virar preço, condição ou estrutura, em vez de virar surpresa na reta final.

Os deal-breakers da fase inicial

A experiência prática permite mapear os temas que tendem a encerrar a conversa rapidamente. São eles: 

Risco fiscal relevante: a “normalização” pós-aquisição pode exigir abatimentos que inviabilizam o valuation. Isso é particularmente comum em empresas brasileiras de médio porte, onde práticas fiscais agressivas são frequentes e a regularização completa pode destruir a rentabilidade que justificava a aquisição.

Demonstrações financeiras inconsistentes: EBITDA ajustado além do razoável, passivos que não aparecem em nenhum relatório, fluxo de caixa desorganizado. 

Dependência de stakeholder-chave: quando um único cliente, fornecedor, sócio-operador ou contrato concentra a receita e o risco operacional, qualquer mudança nesse elo muda toda a equação do negócio.

Governança frágil: empresas sem conselho estruturado, com tomada de decisão centralizada ou processos indefinidos, transmitem insegurança. Um fundo europeu descartou um target brasileiro promissor exclusivamente por ausência de segregação de funções entre sócios-operadores, contratos mal redigidos e inexistência de conselho, mesmo com EBITDA atrativo.

– Incerteza regulatória: operar sem licença essencial ou em setores sob forte supervisão regulatória sem compliance estruturado é um gatilho imediato de risco.

Desalinhamento sobre o valuation: quando as expectativas de preço do vendedor e do comprador não se aproximam de um possível “meio do caminho”, o processo se esgota antes de ganhar tração.

Abrir o armário cedo: a estratégia que salva negócios

A expressão que captura a essência dessa fase é “abrir o armário cedo”. Tudo que é material precisa ser traduzido, logo no começo, em uma de três categorias:

1. Vira preço: desconto no valuation, estrutura de pagamento ajustada

2. Vira condição: escrow, earn-out, covenants, condições precedentes

3. Vira motivo para dizer “não” agora: não lá na frente, quando o custo emocional e financeiro de recuar pode se tornar insuportável

As condições precedentes (ou suspensivas) são mecanismos contratuais para endereçar riscos identificados entre a assinatura e o fechamento. Exemplos comuns: aprovação pelo CADE, resultado satisfatório da due diligence legal e contábil, obtenção de autorizações de terceiros (credores, parceiros comerciais) e cumprimento de obrigações fiscais específicas. 

O escrow não é desconfiança, é gestão de risco

Ferramentas como a conta escrow (conta garantia) são vistas, por quem não está acostumado a processos de M&A, como sinal de desconfiança. Na prática, são instrumentos de gestão de risco: o valor fica em conta controlada por instituição financeira, consultável por todos os envolvidos, e só será movimentado com confirmação de ambas as partes. Isso permite que as partes avancem mesmo diante de incertezas mapeadas, alocando responsabilidades objetivas e reduzindo o espaço para surpresa emocional e jurídica no fechamento.

Quando o risco é tratado com esse nível de disciplina, o time sai do modo “apagar incêndio” e entra no modo “executar plano”.

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Higor Rocha

Head de M&A e Estruturação de Projetos da J2L Partners desde 2023

Profissional autodidata, analítico, comunicativo e orientado a resultados, tem sete anos de experiência, tanto em corporações financeiras robustas, quanto em startups inovadoras.

Formado em Engenharia Mecânica pela UFMG e candidato a certificação CFA (level 3), possui um histórico sólido de transações bem-sucedidas em diversos setores, incluindo serviços financeiros, tecnologia, saúde e bens de consumo. 

 

Pedro Lanza

Head Jurídico
da J2L Partners desde 2016

Experiência como advogado tributarista de escritórios de advocacia de renome nacional, como Machado Associados e Sacha Calmon Mizabel Derzi Consultores e Advogados;

Graduado em Direito pela Faculdade de Direito Milton Campos – MG e Pós Graduado em Direito Tributário pela GVLaw – SP;

Possui MBA em finanças pelo IBMEC

João Marcos Aleixo

Analista de M&A e Estruturação de Projetos
da J2L Partners desde 2023

Começou sua trajetória na J2L em janeiro de 2021 como estagiário, onde aprimorou suas habilidades e se familiarizou com os diversos aspectos do M&A. 

Sua paixão pela área e busca constante por conhecimento o levaram a se destacar e, em pouco tempo, se tornar um membro valioso da equipe. 

Nos últimos anos, participou de importantes transações nos setores de logística e saúde. 

Fora da J2L, João se envolveu em projetos acadêmicos que demonstram sua versatilidade e aptidão para negócios. Como membro da Escola de Negócios da UFRJ – Consulting Club, participou da criação e implantação do processo avaliativo para novos membros. 

Lúcio Otávio

Membro do Conselho de Administração ,
CEO e fundador da J2L Partners.

Mais de 30 anos de experiência em posições executivas

Trabalhou durante 14 anos no Grupo Andrade Gutierrez, sendo Diretor de Investimentos sua última posição

Foi membro do Conselho de Administração da Oi S.A. e da Santo Antônio Energia

Foi responsável pela estruturação de projetos como Hidrelétrica de Santo Antônio e Aeroporto de Quito – sendo esse último eleito pela revista Project Finance o Latin American Transport Deal of the Year no ano de 2006

Gestor de investimentos credenciado pela CVMGraduado em Administração pela FUMEC – MG e MBA em Finanças pelo IBMEC.

Líbano Barroso

Membro do Conselho de Administração e
fundador da J2L Partners, e CEO da Rodobens

Mais de 30 anos de experiência em posições executivas

Posições nos últimos 15 anos: Membro do conselho de Administração da Via Varejo, Estácio, Ri Happy e Intermédica. CEO da Via Varejo, Vice Presidência do Grupo Pão de Açúcar, CEO da TAM, CFO da LATAM Airlines, CEO da Multiplus e CFO da CCR

Responsável pela idealização e estruturação da Multiplus e da CCR (incluindo sua Oferta Pública Inicial), e pela fusão LAN/TAM

Graduado em Economia pela UFMG – MG, MBA em finanças pelo IBMEC e Pós-graduado em Direito Empresarial pela FGV.

João Lanza

Membro do Conselho de Administração e fundador da J2L Partners,
e Diretor-fundador da Mundinvest CTVM.

Mais de 40 anos de experiência no mercado de capitais

Posições nos últimos 15 anos: Membro do Conselho da BOVESPA, Membro do Conselho da BSM – BM&F BOVESPA (supervisão de mercados) e Presidente da APIMEC-MG

Gestor de investimentos credenciado pela CVM, responsável por administrar carteiras de clubes de investimento na Mundivest.

Graduado em Administração pela FUMEC – MG.